A Associação Brasileira de Defesa do Agronegócio (ABDAGRO) moveu uma ação judicial histórica contra o Banco do Brasil, denunciando um esquema que causou um prejuízo de mais de R$ 800 bilhões ao agronegócio brasileiro. Essa prática, conhecida como venda casada, prejudica produtores rurais há décadas e compromete a política pública de crédito rural.

Desde a década de 1960, o crédito rural foi implementado como uma política agrícola fundamental no Brasil, garantida pela Constituição Federal, para fomentar o desenvolvimento socioeconômico e oferecer acesso a recursos com juros subsidiados aos pequenos e médios produtores. No entanto, o esquema de venda casada imposto pelo Banco do Brasil, responsável por 60% do mercado de crédito rural, distorceu esse objetivo.

A ABDAGRO, com apoio jurídico do escritório João Domingos Advogados, representa milhares de produtores lesados. O processo, considerado o maior da história judicial mundial, busca recuperar valores desviados e corrigir práticas predatórias que comprometem o setor agrícola.

Detalhes da Ação Judicial

A ação exige a devolução de valores desviados e indenizações que totalizam mais de R$ 841 bilhões, incluindo:

Nos últimos 10 anos, o Banco do Brasil concedeu R$ 1,5 trilhão em crédito rural, dos quais R$ 179 bilhões foram desviados para a compra compulsória de produtos financeiros como seguros, consórcios e títulos de capitalização.

Depoimentos e Impactos no Setor

Produtores rurais como Sebastião de Moura e Naiton relatam terem sido coagidos a adquirir produtos financeiros como condição para liberação de crédito, aumentando custos e comprometendo suas produções. Ex-funcionários do banco confirmam que essas práticas eram incentivadas pela alta gestão, evidenciando um esquema sistêmico e organizado.

A prática de venda casada não só encarece o crédito rural, mas também reduz os recursos disponíveis para investimento produtivo, levando muitos produtores ao endividamento e, em casos extremos, à falência.

A Luta pela Justiça e o Futuro do Agronegócio

A ABDAGRO busca não apenas a recuperação de valores desviados, mas também a reformulação do setor bancário, garantindo que o crédito rural volte a ser um instrumento de apoio ao desenvolvimento sustentável do agronegócio.

Esse caso expõe um esquema que prejudicou o setor agrícola por décadas, ofuscando outros grandes escândalos financeiros, como a Lava Jato, cujo prejuízo estimado foi de R$ 153 bilhões.

Órgãos reguladores como o Ministério Público Federal (MPF), Banco Central (BC), CVM, CADE e TCU estão sendo mobilizados para investigar o caso, que pode mudar o futuro do crédito rural no Brasil.

Essa batalha representa mais do que uma busca por reparação financeira; trata-se de um marco para a defesa da dignidade dos produtores rurais, pilares fundamentais da economia brasileira.

Fonte e Imagens: https://www.sistemafaemg.org.br/agronegocio-em-minas

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